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Muambada gastronômica

A mala veio recheada. Por sorte, tudo intacto, inclusive as garrafas.

Na mala veio de tudo um pouco. De Paris, foie gras, queijos não pasteurizados, terrines, escargot e sais. De Londres, biscoitos, caramelos, chás e até extrato de alho negro comprado em plena Japanese London. Sim, isso existe!

De garrafas, foram 15, entre champanhes e rótulos menos borbulhantes.

Mas a melhor aquisição foi, sem dúvida, o meu exemplar da Larousse Gastronomique. Em breve compartilho com vocês algumas páginas.

Minha irmã não acreditou: “Mas você foi a Paris e não comprou nem uma peça de roupa???”. Um par de botas e um sobretudo para não precisar lavar roupa na viagem. E está de bom tamanho.

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Sou caipira pira pora.

Festa junina de verdade tem que ser assim: com sanfona e arrasta pé.

Uma viagem de 13 horas, excesso de trabalho e a visita de um grande amigo. Muitos foram os motivos para me afastar do blog durante tanto tempo. Em compensação o que não falta agora é assunto. Entre as muitas refeições feitas entre Rio e Minas Gerais teve de tudo um pouco: leitão à pururuca, arroz de pequi, bacalhau cru, pastel de siri, sushi de enguia, steak tartar com ovo de 3 minutos e até gafanhotos.

A festa junina, em Montes Claros, Minas Gerais, foi um dos pontos altos do mês. Tradicional do início ao fim – com direito a sanfoneiro, quentão e fogueira -, é o tipo de festa que não se vê mais no Rio. Para chegar lá foram 13 horas na estrada, com direito a paradas no Alemão, no Cupim e onde mais desse vontade.

Localizada no Norte de Minas Gerais, a cidade fica a quase mil quilômetros do Rio de Janeiro. Um horror para as costas, para as pernas e para a cabeça, que no final do trajeto só pensa em quanto tempo falta. Mas basta chegar a Montes Claros para todo o cansaço ficar para trás. Seu povo se orgulha do arroz de pequi e chega ao ponto de congelar a frutinha espinhenta para comer até quando não estiver mais época. O gosto não chega a ser maravilhoso, mas é curioso e vale conhecer.

O famoso arroz de pequi, ainda fumegante na panela.

Com ressalvas, é bom frisar. A frutinha esconde em seu interior um ninho de espinhos finíssimos e super afiados. Na cidade não faltam histórias de quem, lá pela décima cachaça, tenha se esquecido e comido a fruta de uma vezada só. Quem come a fruta, dizem, ou encara uma maratona de pinçadas na língua, na tentativa de arrancar os espinhos, ou bate as botas. Apesar dos pesares, o povo é cheio de orgulho do pequi: “É afrodisíaco” – gritam em coro, reforçando que nove meses após sua temporada a cidade passa por um boom de nascimentos. Quem viver verá.

As crianças ficaram doidas com as fogueiras.

Na noite da festa junina, porém, nada de pequi. Também, com tanta bebida rolando, melhor evitar. A cozinha começou a se preparar para a festa bem cedinho. Os panelões de canjica impressionavam pelo tamanho. Era milho que não acabava mais – e não é que acabou??? O cheiro do quentão invadia todos os cômodos da casa. A mistura de gengibre, capim limão, canela, mel e casca de limão “cura qualquer gripe”, ensina o povo. Depois de pronta, é separada em dois panelões: um para ser servido puro e o outro com cachaça. Completando o cardápio, panelas e mais panelas de vaca atolada, carrocinha de pipoca e outras delícias.

Os panelões de canjica. Acredite: acabou TU-DO!

A festa foi noite adentro. A criançada corria animada em volta da fogueira, os casais curtiam um arrastapé gostoso e todo mundo comia e bebia sem parar. Até eu, que fui pra lá cheia de boas intenções, arrumei um par, vejam só! Mineirinho simpático esse!

Antes mesmo da festa começar, já tinha um par pro arrasta pé!

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Conversando com a comida.

Alho poró: meu companheiro de noitadas.

Não, este não é um post de auto ajuda gastronômica. Também não pretendo falar sobre nenhuma dieta bizarra que pregue uma melhor comunicação com os alimentos. Esta é uma história sobre indigestão. Sabe quando você come alguma coisa e horas depois continua sentindo o sabor da comida, firme e forte no estômago, na boca e na mente? É por aí.

Ontem, quando preparava um sanduíche de salmão defumado com alho poró (que adoro!), me empolguei e carreguei na hortaliça. Só que já era tarde e em algumas horas fui dormir. O resultado? Passei a noite conversando com a comida. Mais especificamente, com este ingrediente da família das liliáceas, que recentemente descobri ser chamado de “aspargo dos pobres” durante a Antiguidade.

Com o alho poró foi a primeira vez. Aprendi a lição. À noite é preciso maneirar. Já o pimentão verde foi banido da minha lista de comidas noturnas há tempos. Não desce de jeito nenhum e ainda rende uns pesadelos. Juro!

O meu problema, porém, não é necessariamente com comidas sustantes. Tanto que não tenho problema em comer carne à noite. São ingredientes específicos. Já bati altos papos com dentes de alho, com o pepino, com pimentões de todas as cores e formatos e até com melancias. A única saída para evitar a conversa é fugir deles.

O sanduíche é bom, mas cai melhor durante o dia.

Deixando isso de lado, o sanduíche de alho poró ficou delicioso. Para quem quiser fazer, aí vai a receita:

– ½ baguete;

– 4 tiras de salmão defumado;

– ½ alho poró cortado bem fino;

– 1 copo de iogurte natural desnatado;

– 50 gramas de ricota;

– sal;

– azeite extra virgem.

Para o molho é só misturar tudo. Azeite e sal a gosto.

Moleza!

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Comida “di” mulher.

O Pontapé, na Ilha do Governador. No que depender de mim, "É CAM-PE-ÃO!"

Sou fã assumida do Comida di Buteco. O festival, que acontece há 11 anos em BH, ainda é um iniciante em terras cariocas mas já dá o que falar. A terceira edição do Rio está deliciosa e ainda dá tempo de visitar os concorrentes – vai até o dia 27 em julho e movimenta 28 botecos-símbolo da cidade.

No sábado passado o festival organizou uma caravana só para mulheres. Batizada de Caravana do Batom, juntou chope gelado, comidinhas gostosas e ótimas companhias. A fórmula foi imbatível – diversão garantida a tarde inteira. Para se ter uma ideia do clima nossa caravana contou com nada menos que quatro integrantes do grupo Mulheres de Chico. Foi cantoria e batucada até dizer chega.

No Pavão, um brinde às Mulheres de Chico - e a todas as outras também!

Como é impossível visitar todos os concorrentes num dia só – haja fígado! – o roteiro incluiu três legítimos representantes da boemia butequeira. O trajeto começou no Pavão Azul, em Copacabana, que em 2007 e 2009 foi eleito o melhor na categoria Pé-Sujo pelo Prêmio Rio Show de Gastronomia. O bar concorre com um risoto de camarão que, apesar de levar risoto no nome é feito com arroz branco. Uma pena, porque o queijo que vai sobre o prato poderia ter feito uma dupla afinada com um arroz arbóreo. Mas nem mesmo a ótima pimentinha da casa salvou o prato.

O risoto de camarão do Pavão Azul.

Mas tudo bem, outros bares estavam por vir. Entre um chope e outro o grupo ia aumentando e a animação crescendo. Depois do esquenta no Pavão rumamos para o segundo bar do roteiro – até então desconhecido. O destino seria o Pontapé, um bar sensacional da Ilha do Governador. No comando da casa está a divertidíssima D. Rose, que criou para a competição o Baião Carioca: uma panqueca gorducha recheada com carne seca, lingüiça calabresa, cebola, feijão de corda e queijo coalho. A massa, que de tão saborosa fiz questão de provar até pura (obrigada, Dona Rose!), leva arroz, aipim, alho, azeite, maionese, ovo e leite.

Vendida a meros R$ 9,50, é uma entrada sustante e saborosíssima, perfeita para acompanhar a cerveja de garrafa servida em balde. Apesar de maravilhosa, a comida não é tudo. Se o petisco da D. Rose mereceu nota 9, o serviço ganhou 10! Garçons sorridentes e nitidamente alegres por trabalharem em um ambiente tão agradável circulam pelo enorme espaço que inclui ainda um quintal a céu aberto. O Pontapé, que tem capacidade para 300 pessoas, chega a ter fila na porta nos fins de semana. Hoje, dia da estréia do Brasil na Copa, não posso nem imaginar o movimento por aquelas bandas.

O "Baião Carioca" do Pontapé: sensação da caravana!

A essa altura, embaladas por boa comida, cerveja gelada e pelas ótimas histórias de D. Rose, o Pontapé ganhou reforço musical das Mulheres de Chico. Joe Viegas, que nas apresentações do grupo toca surdo, foi de pandeiro. Quem não sabia tocar, cantou, sambou e foi feliz.

A música do vivo do Pontapé ganhou um reforço da mulherada.

Apesar de vontade de ficar por lá até o dia seguinte, ainda tínhamos uma missão importantíssima pela frente: visitar um terceiro e último bar. A Petisqueira Martinho, também na Ilha, não deu sorte. Também, qualquer bar que entrasse no roteiro depois do Pontapé não teria a menor chance de ganhar a nossa simpatia.

O Petisquim (R$ 16,50) impressionava pela aparência. A casquinha de siri recheada com frutos do mar era escoltada por um siri inteirinho, camarão e dois mexilhões. Ao lado, um limão para temperar. Apesar dos nobres ingredientes e do bom sabor da casquinha – com direito a anéis de lula -, no geral o prato deixou a desejar. O camarão, esturricado, foi dispensando no meio. O siri, com patinhas magras, deu mais trabalho do que prazer em comer. Parecia que estavam ali apenas para decoração.

A Petisqueira Martinho concorre com uma casquinha de siri turbinada. Mas o fotogênico siri não empolgou.

Eram quase 7 da noite e hora de partir. Afinal, o sábado ainda nem havia começado e a mulherada tinha uma longa noite pela frente. Os celulares não paravam de tocar e a noitada começava a ser planejada. No trajeto de volta mais batuque, samba (admirável o esforço de todas em sambar numa van em movimento, preciso dizer) e alegria. Tenho certeza de que todas se divertiram, só não posso falar pelo fotógrafo, bendito fruto entre tantas mulheres. Essa alma vai para o céu.

E como o festival vai até dia 27, não deixe de visitar esses e outros botecos do evento. Mangue Seco, Cachambeer, Aconchego Carioca, Petit Paulette e Adega Pérola são alguns dos que espero ter tempo e fôlego de visitar. O Comida di Buteco é diversão pura, mas precisa ser profissional para agüentar. Depois ainda dizem que mulher não sabe beber… Quanta ingenuidade!

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Estômago embrulhado.

Camarões do Barba Negra, em Florianópolis: fico enjoada só de lembrar.

Não existem muitos motivos que me façam perder o apetite. Mas quando acontece, sai de baixo. No reveillon passei quatro dias a base de água e coca-cola depois de comer um fatídico camarão que me provocou uma terrível infecção intestinal. O negócio foi sério, só Plasil injetável para segurar o enjôo. O regime forçado, por outro lado, colaborou com a promessa de começar o ano comendo menos.

Em uma viagem à Ibitipoca peguei horror ao pão de canela, típico da região. Isso porque compramos o pão no começo da subidinha para a cidade. O cheiro forte da canela no carro, mil e uma curvas em estrada de terra, e lá veio o mal estar. Passei meses sem colocar para dentro qualquer coisa que levasse canela.

Uma coisa que não desce de jeito nenhum é tequila. Tudo por causa de um porre adolescente com a mexicana. Só de sentir o cheiro já me embrulha o estômago e a cabeça lateja. Revival dos horrores.

Esta semana o culpado foi o vinho. Engraçado, porque estou acostumada e bebo com freqüência. Parece que em meio a muito trabalho, um bocado de preocupações e um tanto de taças, a bebida não caiu bem.

Nesses tempos de entressafra tento segurar a onda. Vou de comidas leves, nada de manteiga, legumes até dizer chega e muita, mas muita coca light. E nesses raros momentos me pego fugindo de livros de gastronomia, rejeitando convites para almoços e não dando a menor bola para o bolo de chocolate sobre a mesa da cozinha. É, tudo na vida tem seu lado bom. Mas que é chato, ah, se é.

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Você tem fome de quê?

Flocos de ouro comestível. Não é para qualquer bol$o!

Numa dessas boas coincidências da vida, esbarrei hoje na rua com um amigo que não via há bastante tempo. Papo vai, papo (sobre comida, claro) vem, até que o Ronaldo me diz como quem não quer nada: “Trouxe da África do Sul algumas folhas de ouro”. Ouro comestível? Fiquei curiosa! E lá fui eu de câmera em punho registrar o ouro made in Africa.

Ronaldo viaja à beça e já me apresentou bebidas com larvas, cobras e outras coisas exóticas da Ásia. Desta vez não podia ser diferente. Trouxe flocos de ouro, que ficam armazenados neste lindo e mínimo potinho, e folhas que verei numa próxima visita (vou cobrar, Ronaldo!).

Como são muito delicados, os flocos precisam ser manipulados com cuidado – de preferência com uma pinça. O sabor, de imediato, remete a metal. Mas só. Tudo bem que é difícil sentir outros sabores em uma quantidade tão pequena de ingrediente, seja ele qual for. Mas não acredito que, se comesse flocos e mais flocos, sentiria sabores muito diferentes. A textura lembra papel alumínio, principalmente quando se morde o floco.

O detalhe da textura do floco de ouro.

Já li sobre inúmeros restaurantes que usam ouro em seus pratos. Pó de ouro pincelado sobre chocolates, folhas de ouro decorando um naco de foie gras, flocos de ouro com caviar e até em bebidas com saquê e vinho. No Japão o ouro é usado há bastante tempo em saquês em ocasiões especiais, como aniversários ou promoções de trabalho.

Depois de todo esse blá blá blá, uma informação me fez cair para trás: o ouro não afeta o sabor dos alimentos. Quer dizer que – jesus!!! – ele é puramente decorativo? Obviamente quem está disposto a pagar algumas centenas de dólares por um prato salpicado de ouro não está só interessado na aparência da comida. Símbolo de riqueza e status, brilha – literalmente – em cardápios de restaurantes estrelados. Paga-se, e muito, pelo valor agregado.

Pesquisando, descobri uma empresa alemã chamada Gold Gourmet especializada na comercialização do metal para uso culinário. Pelo site é possível comprar ouro em pó, folhas – de meros 0,111125 mm) e flocos de ouro, além de acessórios que ajudam a manipular o metal. A quem interessar possa, a embalagem de 1 grama de flocos de ouro sai a aproximadamente 100 dólares. Achou caro? O kit com 24 folhas de ouro de 5×5 cm sai por 37 dólares.

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Medos culinários.

O pavor bateu na hora "H" de mostrar serviço. Pobre Alfredo!

Morro de medo de abrir panela de pressão. Não, nunca vi nenhuma explodir na minha frente nem nada parecido. Mas esta possibilidade sempre me apavorou. Imaginava a cena horrorosa. A panela nas alturas, comida quente espirrando por todos os lados. Até hoje, se tiver por perto alguém que possa desempenhar a tarefa, passo o bastão.

Já tive medo de faca. Causado, claro, por pais zelosos que insistiam em dizer “não mexa com a faca, você pode se machucar!”. Também nunca me cortei gravemente, apenas pequenos cortes como acontece com qualquer um. Demorei a criar coragem para usar a faca de chef e cortar de uma vez só os legumes. Hoje já sou um pouquinho (no diminutivo mesmo) mais rápida.

Morri de pavor de cortar o pescoço do galo Alfredo. No começo estava me achando: “claro que eu tenho coragem, ora. É só um galo”. Mas bastou segurar aquele pescoço quente nas mãos para uma aflição gigantesca tomar conta de mim. Imaginei o galo correndo sem cabeça, o sangue escorrendo nas minhas mãos, a alma do pobrezinho me perseguindo. Felizmente, nada disso aconteceu.

Tenho medo – ou seria aflição? – de comer certas coisas. Não exatamente de comer, mas do que pode acontecer depois. Apesar da curiosidade de provar tudo, tenho lá minhas dúvidas quanto a minha capacidade. Os grilos caramelizados do Azumi, por exemplo. Apesar de ter provado um apenas – e olhe lá! -, o esforço foi tremendo. Visualizei camarão, pensei em crocantes de arroz e até dei uma conversada com o bicho. Desceu, mas foi necessário colocar um sashimi para dentro em seguida. E o que eu mais queria, que era descobrir o gosto do inseto, não consegui. Só senti o “crec” e o doce do caramelo.

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