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Comer, comer

Três semanas se passarem sem notícias por aqui. Não por falta de novidades, que fique claro, mas por excesso delas.

Rolou de um todo. Festa junina no norte de Minas, jantares abusivos, experiências com ovos de ganso, a Saideira do Comida di Buteco e até um pouco de azia. Nada que um antiácido não resolva.

Ao longo dos próximos dias vou subir fotos destes excessos e dividir um pouco do que aprendi, comi e cozinhei.

Mas para matar a curiosidade adianto os destaques do mês:

* O quentão da festa junina de Montes Claros, carregado no gengibre – sensacional!

Ingredientes do quentão: cura qualquer gripe!

* O  menu degustação do Laguiole, no MAM, comandando pelo chef Pedro de Artagão.

* Shitakes com ovo de ganso (com a gema bem mole, escorrendo).

Perfeito para os dias frios: ovo de ganso poché com shitake.

* Momento cara a cara com o pequi e seus mil espinhos.

* Foie gras de todos os tipos, formas e tamanhos.

A seguir!

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Mar de taças.

Mar de taças durante a degustação dos vinhos do Douro e do Porto.

O convite não era para qualquer um: degustar 34 vinhos do Douro e do Porto em uma única noite – uma verdadeira operação de guerra. Eu, que não estou acostumada a esta quantidade de vinhos, fiquei instigada para saber como correria a noite. O evento, oferecido pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, aconteceu na última quinta-feira no excelente restaurante Terzetto, em Ipanema.

Quando cheguei lá estava Joãozinho, sommelier do restaurante, organizando as taças sobre a mesa. Era taça que não acabava mais, uma loucura! Nunca vi nada igual. Sentada entre Ricardo Farias e Euclides Penedo, respectivamente diretor e presidente da ABS-Rio, tentei seguir as dicas dos craques para chegar até o final. “Vai beber ou vai cuspir o número 28?”, brincava Euclides. Como se pode imaginar foi mesmo inevitável cuspir alguns bons números.

Ao longo da degustação, comandada por Marcelo Copello, as taças começaram a se acumular sobre a mesa. Teve um momento em que não sabíamos mais qual taça era de quem, apesar do esforço em nos organizarmos. Mas quanto mais bebíamos, mais difícil ficava de se entender.

Foi quando me lembrei de um apetrecho que trouxe de uma viagem. São pequenas borrachinhas que grudam nas taças graças a uma ventosa. Cada borrachinha vem com uma cor e formato diferentes, ideal para usar em jantares com muitos convidados. No caso da degustação acho que o ideal teriam sido mesmo canetinhas tipo pilot para escrever o número de cada vinho na taça e marcar seus preferidos.

Já meus comentários sobre os vinhos vou deixar para o Enoteca, onde o jornalista Bruno Agostini gentilmente me cederá a palavra na próxima semana.

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Delícias geladas.

No freezer da minha infância o sabor era sempre o mesmo: napolitano. O pote de dois litros da Kibon não durava muito, mas sempre causava confusão. Para as crianças terem o direito de comer precisavam pegar um pouco de cada um dos sabores. Mas, claro, nenhuma das três filhas era lá muito chegada ao morango. Além disso, a faixa de creme, meu preferido, era sempre a mais fina. Juro que não era coisa da minha cabeça!

Apesar dos esforços de nossos pais em acabar com os sabores aos poucos, era inevitável. O morango ficava ali, desprezado, misturado às sobras dos outros. Derretia e era novamente congelado, acumulando os terríveis cristais de gelo, o que só aumentava nosso horror ao coitado.

Quando finalmente me livrei da tirania do pote de napolitano, me entreguei ao mundo dos sorvetes. Em minha primeira viagem à Disney, fiquei doida com o picolé do Mickey, com o formato do rosto do ratinho. Depois, me encantei pelo sorvete de baunilha da Babuska. Já um pouco mais crescida, e com o paladar exigente, fiquei viciada no de avelã do Felice Caffè. E quando mais recentemente tirei os quatro sisos de uma tacada só, passei cinco dias à base dos sabores light da sorveteria Itália. Não queria outra vida.

Hoje vejo que o sorvete vai muito além do momento da sobremesa. Tive gratas surpresas nos últimos anos com sabores inusitados e acompanhamentos inesperados.

Um momento memorável foi ano passado, no restaurante Craft, em Nova York. Todas as sobremesas são feitas na casa, e uma ótima pedida é o sampler de sorvetes e sorbets. Fui de azeite de oliva, café, baunilha, concord grape, mel e manjericão.

Sampler de sorvetes do Craft: azeite de oliva, café, baunilha, concord grape, mel e manjericão.

Mas não é mais preciso pegar um avião para provar essas delícias. Os restaurantes cariocas estão saindo da mesmice e investindo em sabores exóticos. Sorvete de pepino? No Eça tem! O chef Frédéric De Maeyer serve a delícia ao lado de atum. A combinação é perfeita. Refrescante, leve e de cor linda.

No Eça, o duo de atum é servido com sorvete de pepino.

No último sábado provei o sorvete de hortelã do Garcia e Rodrigues, servido sobre um maravilhoso crumble de pêssego e framboesas. Estava tão bom que comi mais do que agüentava. Saí de lá rolando a escada, mas hoje já penso em repetir a dose.

O crumble do Garcia e Rodrigues é caro, mas vale cada centavo. Especialmente pelo sorvete de hortelã.

Já o sorbet de tomate, criação do chef Pierre Landry, vai muito bem com as vieiras e cavaquinhas do Mok Sakebar.

Pegando a ponte aérea, não deixe de experimentar o sorvete de chá verde do super japa Kinoshita. Ao lado, um bolinho de arroz com textura aveludada que esconde uma calda de chocolate que se esparrama pelo prato.

Sorvete de chá verde do Kinoshita: como tudo de lá, uma obra de arte.

Depois de provar tantos sabores, tenho achado cada vez mais que os sorvetes caem bem mesmo é nas entradas. Mas se vierem também ao final da refeição, melhor ainda! Comerei duas vezes, sem reclamar.

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Direto de Recife

Tudo acertado para provarmos o tatu! 

Cheguei hoje cedo em Recife e soube que o bichinho ainda está vivo, engordando especialmente para esta Páscoa – e para saciar nossa gula.

Mas a refeição será só no sábado, pois o pessoal da fazenda não quer preparar o prato em plena sexta-feira da Paixão. Tudo bem, quem esperou 28 anos espera mais 1 dia, seja qual for o motivo.

O almoço no Leite (o mais antigo restaurante em funcionamento do país, de 1882) foi delicioso! Pitu, galinha a cabidela e bolinhos de bacalhau.

Domingo tem foto! E muito chocolate também!

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Que coelho que nada…

… nesta Páscoa vou comer tatu! Embarco amanhã para Pernambuco onde passarei o feriadão (o “ão” ficou por minha conta, pois resolvi prolongar o descanso) com o querido amigo Arnaldo, exímio futuro-produtor de café do sertão pernambucano (gostou, Arnaldo? Rs!).

Brincadeiras a parte, a viagem é coisa séria. Chego no Recife quarta-feira ainda em tempo para o almoço. À noite, certamente a comilança continua. No dia seguinte partimos cedo para o sertão, onde Arnaldo está plantando uva e otras cositas más! O tatu foi promessa dele, que já comeu a iguaria algumas vezes. Estou curiosíssima para experimentar! Alguém aí já comeu?

Comer determinados animais pode causar nojo em alguns, mas isso não passa de uma questão cultural – e muitas vezes de necessidade. Quando estive no Peru me deparei, em meu primeiro dia de viagem, com a embalagem abaixo num supermercado de Lima.

El cuy aguardando por um comprador no mercado de Lima. Quem se habilita?

Era “el cuy”, nosso querido porquinho da índia. Eu, que tive vários na casa de campo quando era criança, fiquei surpresa. Nem sabia que se comia isso! Mas como não tinha uma cozinha onde preparar o bicho, passei a viagem toda procurando de restaurante em restaurante.

Na Huaca Pucllana, ruína de Lima, é possível apreciar "el cuy" em todo o seu esplendor.

Após dez dias de viagem, já na volta para o aeroporto de Piura, fiz um apelo ao taxista com meu portunhol safado: “Señor, necessito comer el cuy antes de retornar a Brasil!”. Comovido com meu pedido, lá fomos nós, entrando em ruelas e perguntando de porta em porta: “Tienes el cuy?”.

Após meia hora de tentativas, e com o voo se aproximando, desistimos. O taxista me contou que a esposa dele faz um maravilhoso, e serve inteirinho. Faz tanto sucesso na família que, segundo ele, as crianças chupam as patinhas com gosto, como nós fazemos com os ossos do frango nos churrascos. A conferir!

Volto domingo e espero trazer muitas fotos do tatu.

Boa Páscoa para todos!

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