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Sou caipira pira pora.

Festa junina de verdade tem que ser assim: com sanfona e arrasta pé.

Uma viagem de 13 horas, excesso de trabalho e a visita de um grande amigo. Muitos foram os motivos para me afastar do blog durante tanto tempo. Em compensação o que não falta agora é assunto. Entre as muitas refeições feitas entre Rio e Minas Gerais teve de tudo um pouco: leitão à pururuca, arroz de pequi, bacalhau cru, pastel de siri, sushi de enguia, steak tartar com ovo de 3 minutos e até gafanhotos.

A festa junina, em Montes Claros, Minas Gerais, foi um dos pontos altos do mês. Tradicional do início ao fim – com direito a sanfoneiro, quentão e fogueira -, é o tipo de festa que não se vê mais no Rio. Para chegar lá foram 13 horas na estrada, com direito a paradas no Alemão, no Cupim e onde mais desse vontade.

Localizada no Norte de Minas Gerais, a cidade fica a quase mil quilômetros do Rio de Janeiro. Um horror para as costas, para as pernas e para a cabeça, que no final do trajeto só pensa em quanto tempo falta. Mas basta chegar a Montes Claros para todo o cansaço ficar para trás. Seu povo se orgulha do arroz de pequi e chega ao ponto de congelar a frutinha espinhenta para comer até quando não estiver mais época. O gosto não chega a ser maravilhoso, mas é curioso e vale conhecer.

O famoso arroz de pequi, ainda fumegante na panela.

Com ressalvas, é bom frisar. A frutinha esconde em seu interior um ninho de espinhos finíssimos e super afiados. Na cidade não faltam histórias de quem, lá pela décima cachaça, tenha se esquecido e comido a fruta de uma vezada só. Quem come a fruta, dizem, ou encara uma maratona de pinçadas na língua, na tentativa de arrancar os espinhos, ou bate as botas. Apesar dos pesares, o povo é cheio de orgulho do pequi: “É afrodisíaco” – gritam em coro, reforçando que nove meses após sua temporada a cidade passa por um boom de nascimentos. Quem viver verá.

As crianças ficaram doidas com as fogueiras.

Na noite da festa junina, porém, nada de pequi. Também, com tanta bebida rolando, melhor evitar. A cozinha começou a se preparar para a festa bem cedinho. Os panelões de canjica impressionavam pelo tamanho. Era milho que não acabava mais – e não é que acabou??? O cheiro do quentão invadia todos os cômodos da casa. A mistura de gengibre, capim limão, canela, mel e casca de limão “cura qualquer gripe”, ensina o povo. Depois de pronta, é separada em dois panelões: um para ser servido puro e o outro com cachaça. Completando o cardápio, panelas e mais panelas de vaca atolada, carrocinha de pipoca e outras delícias.

Os panelões de canjica. Acredite: acabou TU-DO!

A festa foi noite adentro. A criançada corria animada em volta da fogueira, os casais curtiam um arrastapé gostoso e todo mundo comia e bebia sem parar. Até eu, que fui pra lá cheia de boas intenções, arrumei um par, vejam só! Mineirinho simpático esse!

Antes mesmo da festa começar, já tinha um par pro arrasta pé!

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